Tempo, caras, JB e Valadares
O tempo tem duas caras
por CLÁUDIO NUNES*
“O tempo tem duas caras, se bem aproveitado será um grande aliado, se não, será seu pior inimigo”. Essa frase, de autoria desconhecida, pode ser analisada em vários contextos e situações. Serve também para reflexão na área política, principalmente neste momento de decisões para as eleições, não só as deste ano, mas as de 2014.
Ontem, 24, o radialista e deputado Gilmar Carvalho fez uma análise interessante sobre os bastidores da política em Sergipe, afirmando que a estratégia de Jackson Barreto, que já declarou que deseja ser candidato ao governo, passa por conseguir convencer Valadares a indicar o vice dele, que poderia ser o próprio senador ou o deputado Valadares Filho.
Gilmar Carvalho ainda disse algo que está claro: a campanha de 2014 está nas ruas. E é verdade.
O senador Valadares, que deixou o governo em 1990, passou quatro anos sem mandato e foi reeleito por três vezes para o Senado da República sempre teve um atuação forte nos bastidores. Agora com o mandato conquistado até 2018, sabe que se aproxima a aposentadoria política (pelo menos no âmbito eleitoral) e por isso precisa fortalecer seu grupo político, ou melhor, o seu partido, o PSB.
O PSB é um dos partidos que mais cresceu nos últimos anos em todo país por conta da atuação destacada do presidente nacional e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Jovem, com uma administração destacada e neto de um dos grandes políticos que este país já teve, o homem das ligas camponesas, Miguel Arraes.
Já Jackson Barreto tem uma origem na luta dos partidos de esquerda. Foi eleito por várias vezes pelo antigo MDB, mas sempre teve ligações ideológicas com o antigo partidão, o PCB. Mas como vários políticos, Jackson teve uma derrapada grande em sua carreira: a aliança com Albano Franco em 1998.
Para quem não lembra em 1998, Albano fechava sua chapa para ser candidato à reeleição (após vender a Energipe) e Jackson era a grande liderança da oposição que foi derrotada no 2º turno em 1994 por Albano. Uma eleição disputada onde JB ganhou no 1º turno. Um belo dia, ou melhor, numa bela tarde, a imprensa é convocada para uma coletiva no Palácio de Veraneio. E a perplexidade total: ao lado de Albano, Jackson Barreto e o anúncio que seria candidato a única vaga ao Senado apoiando a reeleição do governador. Não deu outra: Jackson perdeu para Maria do Carmo recebendo o aceno negativo da maioria do eleitorado.
Como bem disse a frase de abertura deste artigo: o tempo precisa ser bem aproveitado para ser seu aliado e não inimigo.
O presente deixa claro que se o PSB não tiver candidato a prefeito de Aracaju pode “jogar a toalha”. Será o mero espectador nas eleições de 2014. E isso não significa rompimento com o governo. O PT também deve ter candidato a prefeito. É questão de sobrevivência e fortalecimento dos partidos.
É tempo de atitude. É tempo de meditar e lembrar que no jogo da política muitos blefam e na hora “h” colocam em primeiro lugar seus interesses pessoais.
* Blog do jornalista Cláudio Nunes - Infonet
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